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| STELLA, BARRO & CIA |
| ELLE/novembro 92 - texto de Elsie Rotenberg |
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O único biscoito que sai do forno de Stella
Ferraz é feito de argila. Claro que não serve para comer:
serve para pintar, decorar, enfeitar. Depois, ele vai para o forno
novamente e sai pronto. Pode ser xícara, vaso, bandeja, prato,
cinzeiro... Tudo para usar. Por muitos anos. Mas as cerâmicas
de Stella são tão bonitas que desafiam a função.
"Minhas cerâmicas são utilitárias mesmo",
afirma. "Refratárias, resistentes e duráveis."
Com uma vantagem a mais: se alguma peça quebrar, Stella faz
outra igual. "Aqui nada sai de linha", brinca. Seu ateliê,
que é também showroom e loja, reflete a profusão
de idéias acumuladas em dezoito anos de trabalho com cerâmica.
A acolhedora casa no bairro do Itaim, em São Paulo, tem desde
as tradicionais peças que vão ao forno e à mesa
até azulejos feitos um a um sua última criação,
que tem encantado todos os decoradores que por lá aparecem.
Muito mais está por vir. "Até o fim do ano",
promete, "vou fazer tudo que tenho vontade e que ainda não
tinha feito." Stella pensa em criar maçanetas, castiçais
e outros objetos para a casa. Que cara vão ter, nem ela sabe.
Tudo depende do momento, da inspiração. Durante muito
tempo, rabiscava idéias em cadernos agora, anos depois,
está usando os desenhos. Viagens à Escandinávia
e ao Japão a influenciaram: as linhas de seu trabalho são
limpas, essenciais, sem sombras. Os detalhes estão nas cores,
no relevo, na textura, no esmalte. E Stella não para de estudar.
Agora está pesquisando novas cores, mas os resultados ainda
não a satisfazem.
Ela não se abala. "Não existe nada impossível",
decreta, "a não ser colar cerâmica quebrada. "Persistência
é, sem dúvida, uma das virtudes de Stella. Depois de
fazer cursos de cerâmica na Europa, ainda na década de
70, voltou ao Brasil e teve aulas com Megumi, mestre ceramista japonês.
No terceiro ano, ele começou a desencorajá-la, afirmando
que no Brasil não se ganha dinheiro com cerâmica. "Optei
então por fazer peças utilitárias e dar aulas",
recorda, rindo. Comprou um forno, levou para casa e começou
a trabalhar. Vendeu toda a produção. Teve de se mudar
quando um vizinho começou a reclamar do barulho. Alugou um
galpão e foi em frente. Numa viagem à Suécia,
visitou ateliês e, encantada com a idéia, não
teve dúvidas: inventou o seu. Cada funcionário
são, ao todo, seis montou seu próprio canto de
trabalho conforme a necessidade. Com apenas dois meses de funcionamento,
Stella está mais feliz e criativa do que nunca.
As peças são concebidas por Stella e produzidas por
ela e sua equipe. A sua grife está em todas. Para ser vista
no forno e frequentar a mesa por muitos e muitos anos. |
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